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Avaliação que garantirá aumento a 20% dos docentes da rede estadual mais bem colocados foi marcada para os dias 3 e 4. Uma das entidades que representam a categoria já planeja entrar na Justiça contra medida, alegando falta de discussão prévia
DA REPORTAGEM LOCAL
As provas que determinarão quais professores da rede estadual paulista receberão aumento salarial por mérito serão aplicadas no início de fevereiro. Segundo o governo, os docentes farão os exames nos dias 3 e 4. No primeiro dia serão examinados os professores do 1º ao 5º ano do ensino fundamental.
No dia seguinte, os demais farão a prova. Diretores e supervisores serão avaliados em 31 de janeiro. Segundo a lei, sancionada ontem pelo governador José Serra (PSDB), até 20% dos docentes mais bem avaliados receberão 25% de reajuste nesta primeira etapa do projeto.
Ao longo da carreira (25 anos), o professor poderá quadruplicar seu salário inicial, caso esteja sempre entre os mais bem avaliados. Ele poderá tentar o aumento a cada três anos.
Para poder prestar o exame e pleitear o reajuste, os servidores terão de apresentar uma frequência mínima às aulas e um determinado tempo de permanência na mesma escola. Os critérios ainda serão definidos pela Secretaria da Educação. Serra afirma que o projeto cria um estímulo aos professores da rede.
Já a Apeoesp (principal sindicato dos professores da rede) afirma que os aumentos previstos beneficiarão poucos professores, o que desestimulará os demais. O Centro do Professorado Paulista (outra entidade representativa) afirma que entrará na Justiça contra a lei, alegando que uma mudança na carreira do magistério exigiria um debate mais amplo.
Entre os pesquisadores, uma das críticas é que o professor que conhece sua matéria não necessariamente sabe ensinar. No primeiro ano de vigência, o governo afirma que receberão o reajuste 44 mil dos 220 mil docentes da rede (20% do total). O impacto financeiro estimado é de R$ 140 milhões. Se esse dinheiro fosse usado para beneficiar todos os professores, o aumento geral da categoria seria de cerca de 5%.
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Avaliação não garante melhora, diz pesquisador
DA REPORTAGEM LOCAL
A premiação com base em avaliações é um conceito interessante, mas ainda não há evidências de que seja efetiva, afirma Gustavo Iaies, ex-vice- ministro da Educação da Argentina e presidente da Cepp (Centro de Estudos de Políticas Públicas, com sede em Buenos Aires). Pesquisador de sistemas educacionais da América Latina, Iaies diz que o projeto aprovado pelo governo paulista poderia receber alguns ajustes. (FÁBIO TAKAHASHI)
FOLHA - Como o sr. avalia a proposta aprovada em São Paulo?
GUSTAVO IAIES - É um conceito que, acima da discussão de quais resultados trará, é justo. Concordo com a diferenciação entre os professores, o que considera a superação individual. É um valor presente em nossas vidas. Além disso, precisamos buscar mecanismos de melhora, formas que estimulem os docentes a se esforçarem. Um ponto que eu mudaria é a forma de avaliação. Prefiro o método de incentivos para a escola. O motor da melhora educacional é a instituição, o coletivo. Por isso, deve-se premiar as melhores escolas [método que o governo adota para o pagamento de bônus anual, mas não para o novo plano de salários].
FOLHA - Com base em experiências de outros países da América Latina, como o sr. analisa a ideia de avaliar e premiar os melhores professores?
IAIES - As experiências ainda são muito recentes para tirarmos conclusões. A única que possui mais de 20 anos é a cubana. Mas, em tese, concordo em premiar os melhores.
FOLHA - Quais são as experiências desse tipo na região?
IAIES - A avaliação é adotada com diferentes objetivos. No Chile [país com os melhores indicadores], busca-se melhora das práticas docentes. Aqueles que não atingem os objetivos passam a ser acompanhados por um tutor, inclusive durante as aulas. Na Colômbia e no Equador, busca-se instalar a ideia do mérito, com base em resultados em provas aplicadas aos professores. No México, a avaliação considera a aprendizagem dos alunos e há incentivos financeiros aos docentes. Os sistemas educacionais foram criados originalmente para difundir a ideia de nação e transmitir conhecimentos mínimos para um mercado de trabalho que não exigia muitas competências. Buscar qualidade de ensino é uma operação monumental para os nossos sistemas.
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Christian Messias - Notícias da educação na mídia, editoriais, opiniões e entrevistas; Comunicação e Radialismo; Humor e Curiosidades você encontra aqui.
Prof. Christian Messias Pedagogo, Radialista, Pós-Graduado em Metodologias Inovadoras - Gestão Escolar e Educação a Distância. Ministrante de cursos e palestras na área educacional em cursos de capacitação, graduação e pós-graduação.
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